segunda-feira, maio 08, 2006

Um casamento dinástico

Em nome do restabelecimento do poder real, d. João VI, o então desacreditado rei português, traçou uma estratégia inteligente para recolocar a dinastia dos Bragança ao centro do poder da Europa, promovendo o casamento de seu filho herdeiro d. Pedro com d. Leopoldina, filha do Imperador da Áustria Francisco I, pertencente a poderosa dinastia de Habsburgo.
Com a queda do Império brasileiro em 1889, àqueles que se opunham ao imperador deposto articularam manobras de toda sorte para difamar a monarquia e membros da família dos Bragança. O principal alvo deste cenário foi d. João VI, descrito como beberrão, covarde, hipocondríaco e afeminado. Por outro lado, a história prova que não foi bem assim. D. João, ao longo de sua trajetória real, mostrou habilidade quando da fuga para o Brasil em 1808. Esperou o momento certo para fazê-lo - ainda que pressionado por todos os lados. Com a transferência da corte para o Rio de Janeiro, o príncipe conseguiu preservar sua vida e a Coroa. Estabeleceu assim, a cede de seu império ultramarino, onde ficou por 13 anos, atingindo o status de rei, onde pode fazer articulações políticas com as pessoas mais importantes e endinheiradas do Rio de Janeiro, que estavam dispostas a apoiar suas idéias dinásticas. Quando d. João voltou a Portugal (devido a pressão exercida pelas cortes de Lisboa), o fez como figura soberana, ainda mais porque deixou no Brasil seu filho herdeiro imediato e então príncipe regente d. Pedro. Uma das grandes manobras estratégias políticas e diplomáticas de d. João muitas vezes não é lembrada. Trata-se da realização do casamento de seu primogênito com a herdeira da Casa d´Áustria, d. Leopoldina. Após a devastação napoleônica houve a restauração as casas tradicionais européias, discutida providencialmente no Congresso de Viena, em 1815. D. João era, naquela ocasião, um rei exilado. Aproximadamente dois anos depois do Congresso, d. João VI iniciou seu ambicioso projeto de voltar ao centro da balança de poder da Europa. Como? Com o casamento de seu filho com d. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I. Desvanecidos os perigos contra paz da Coroa lusitana, os anos de 1817 e 1818 mostraram-se recheados de importantes celebrações que tiveram como palco a cidade do Rio de Janeiro. Algumas destas destacam-se pelo caráter inédito, como a coroação de um herdeiro tradicional da Europa ocorrida noutra localidade. Os habitantes da cidade estavam em estado de glória e honra, visto que desde 1808 "conviviam" como rei e toda sua família real. Este entusiasmo coletivo que poderia ser observado pelas ruas do Rio de Janeiro, ficou ainda maior quando souberam da grande notícia que revelava o enlace matrimonial entre o herdeiro do trono lusitano e a arquiduquesa d´Áustria, d. Carolina Leopoldina Josefa.
A corte portuguesa providenciou momentos marcantes na cidade brasileira como o ocorrido em 5 de novembro de 1817 com a chegada de d. Leopoldina e mais adiante, a comemoração do aniversário de d. João VI, ocorrida aos 13 dias de maio do ano de 1818. Assim, a população pode testemunhar um fato inédito, como dito anteriormente, da elevação de um herdeiro de tradicional casa européia abrigado pelo Novo Mundo.

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